Por que o tema 996 está em alta novamente?
Contexto breve: 996 é um sistema em que os funcionários trabalham das 9 da manhã às 9 da noite, seis dias por semana, totalizando 72 horas. Formalmente proibido desde 2021, mas ainda vivo devido ao fraco controle, baixos salários e forte concorrência no mercado de trabalho.
Por que isso é importante:
- Os chineses trabalharam em média 48,5 horas por semana na primeira metade de 2025 — quase 10% a mais do que as 44 horas permitidas por lei.
- Os trabalhadores buscam overtime não por coerção direta, mas para garantir a renda, já que o salário mínimo muitas vezes não cobre as despesas de vida. Por exemplo, em Shenzhen, ele é de 2.520 iuanes por mês, com despesas médias de cerca de 4.284 iuanes.
A suavização das regras — é tão radical?
Novas práticas corporativas
- A empresa Midea implementou a saída obrigatória às 6:20 da tarde;
- A DJI exige que os funcionários deixem o escritório não mais tarde que 9:00 da noite, embora antes os funcionários permanecessem até a meia-noite.
- A Haier adotou uma semana de trabalho de cinco dias, e as autoridades intensificaram a promoção da semana de trabalho de 44 horas e das férias pagas.
Pressão internacional
- Um fator importante é a pressão dos mercados globais: a União Europeia está impondo restrições a produtos fabricados com trabalho forçado, incluindo horas extras excessivas.
Campanha de TV “Overtime No More”
Um programa de 10 semanas discutiu como se recusar a fazer horas extras, não responder a mensagens após o expediente e proteger os direitos dos trabalhadores.
Mais do que apenas "cancelar" horas extras
- Normas legais: a jornada de trabalho não deve exceder 8 horas, a semana — 44 horas, horas extras não mais que 36 horas por mês, com compensação obrigatória.
- Realidade: a maioria das empresas ignora as regras, e quase não existem sindicatos independentes.
- Cultura neijuan — “concorrência e disputas internas”: um ritmo de trabalho elevado é uma forma de compensar a baixa produtividade e manter a lucratividade.
Conclusões e estratégias:
- Legislação: existem leis, mas a implementação é fraca. A luta por equilíbrio exige controle rigoroso.
- Cultura e economia: 996 ainda é motivada pelo nível de renda. Enquanto os salários forem baixos, a motivação para horas extras não desaparecerá.
- Reformas corporativas: as empresas Midea, DJI e Haier começaram mudanças. Precedentes estabelecem o tom, mas uma transformação prolongada é necessária.
- Fator externo (UE): a pressão dos mercados globais intensifica mudanças internas. Padrões globais influenciam reformas locais.
Conclusão:
A China está se movendo em direção à revisão da prejudicial cultura 996, mas as mudanças são um equilíbrio complicado entre economia, pressão internacional e normas culturais. As reformas na Midea, DJI e Haier são apenas o início de um longo caminho.






